O outro mundo. Parte 2.

 Faz um ano que descobri. Ao reler um dos cadernos de anotações do meu tio, havia uma referência a um ritual capaz de, não apenas expulsar as criaturas extradimensionais que atravessaram para nosso mundo mas também para selar qualquer passagem. Porém, o ritual só pode ser realizado com auxílio de um amuleto antigo, capaz de canalizar as energias necessárias para que o ritual funcione. A boa notícia. Não se trata de um artefato perdido que ninguém sabe onde está. Na verdade, ele foi encontrado quando meu tio ainda estava vivo e ele tinha o recorte de jornal que, além de noticiar sua descoberta, traz também sua localização. Descoberto em uma escavação no México, a peça foi para um Museu na Cidade do México. Ainda deve estar lá. A má notícia é justamente essa. Como vou chegar até lá? Em tempos normais isso não seria um problema. Mas como vou chegar ao México em um mundo onde não existem mais linhas de navio ou ferrovias em funcionamento? Sem contar que, a partir do momento em que sair da minha casa, não estarei mais protegido pela magia arcana que a cerca. 

Porém, não existe outra opção. Além disso, meu estoque de comida era grande mas não infinito. Após mais de um ano e meio, minha comida está chegando perto do fim. Na verdade, tenho apenas galinhas no quintal que me fornece ovos frescos e frutas no pomar. Já é hora de iniciar minha busca por redenção.


Há um mês parti de casa. Até agora, evitei as criaturas. Sem ter uma ideia melhor, simplesmente caminhei para o norte. Quem sabe, em alguns meses chego até o México. Mas na verdade, não acalento muitas esperanças. Por um tempo seguirei ferrovias e estradas. Mas em algum momento vou me deparar com selvas fechadas e então não será fácil atravessar. Isso se eu não morrer de fome, frio ou sede antes. Ou, claro, se não for devorado.

Há uma semana mudei de ideia. Vai ser impossível chegar caminhando até o México. Mudei meu rumo para o litoral. Minha esperança é encontrar uma embarcação que eu consiga utilizar e navegar até o México.

Meu plano deu frutos. Cheguei ao litoral e encontrei um grupo de pessoas que tentam organizar algum tipo de resistência contra as criaturas. Eles me acolheram bem. Claro que não disse a eles que eu era responsável, mesmo que involuntário, pelo fim da civilização como conhecemos. Porém, mesmo omitindo isso, contei a eles sobre minha experiência com Artes místicas e ocultismo e sobre a origem das criaturas. Também contei sobre meus planos e a necessidade de chegar ao México. Eles foram céticos em um primeiro momento, mas quem não seria?

Finalmente, quando consegui convencê-los, iniciamos um planejamento para chegar ao México. Não sei se, de fato, eu os convenci. Mas acredito que eles entenderam que na pior das hipóteses valia a tentativa, pois era evidente que, cedo ou tarde, não seria mais possível fugir ou evitar as criaturas.

Há entre eles um veterano da Marinha. Em breve partiremos.

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