O povo esquecido da floresta.

 A história que vou contar ocorreu há muito tempo, quando as grandes corporações avançavam sobre as poucas áreas ainda selvagens do planeta. Na floresta da Hyleia, último líder do povo da Harpia liderou por muito tempo a luta e a resistência contra a Ferrocorp , maior empresa de exploração mineral de então. A Ferrocorp havia ultrapassado, mais uma vez, os limites estabelecidos para a exploração na floresta. Na sua marcha constante e insaciável por ferro, ouro, petróleo e outros recursos, devastava áreas enormes da floresta, derrubava árvores centenárias, poluía rios e expulsava pessoas e animais da floresta. Empresas agropecuárias também avançavam sobre a floresta, derrubando matas para dar lugar a pastagens. Também haviam se tornado legais os safáris, com milionários de masculinidade frágil pagando enormes somas de dinheiro para abaterem animais da já combalida fauna local. Naquela época, o governo de Aurilândia estava entregue a um presidente lembrado pela sua aversão e perseguição aos povos da terra, desprezo pela natureza e negacionismo científico. Sob a tutela de seu ministro para a exploração dos recursos naturais, os biomas do país foram entregues às grandes corporações, sendo a Ferrocorp a maior delas. Aricamé, líder do povo Harpia, atacava a Ferrocorp da forma que podia. Utilizando técnicas de guerrilha e se aproveitando do conhecimento único que tinham do terreno, o povo da Harpia começou a incomodar cada vez mais a Ferrocorp. Veículos e máquinas caras eram sabotados e inutilizados. Acampamentos destruídos, caçadores ilegais eram surpreendidos e suas armas eram tomadas. A situação se tornava insustentável. O fraco presidente passou a ser pressionado pela Ferrocorp a buscar soluções para o problema. O presidente enviou seu próprio filho e  o seu ministro para a exploração dos recursos naturais para liderarem uma caçada contra Aricamé e o povo Harpia. Inicialmente os esforços foram em vão, pois era impossível encontrá-los na vastidão da floresta, que Aricamé e seu povo conheciam tão bem. Porém, escrúpulos não era algo que poderia ser esperado da Ferrocorp e muito menos membros do governo daquele presidente. Aricamé era querido e admirado por todo seu povo e outros povos da floresta. Promessas de recompensas não surtiam efeito. Mas quando a Ferrocorp e o governo sequestraram uma família do povo Harpia, uma grande tragédia estava para ocorrer. A Ferrocorp sabia que poderia conseguir a localização da base de operações da Harpia com qualquer membro de seu povo, pois eles utilizavam uma antiga aldeia como reduto. Esta aldeia ficava entranhada em um local desconhecido pela Ferrocorp, frequentado apenas pelos Harpia. A família sequestrada era de um clã que não participava das ações e Aricamé, não eram guerreiros. Eram pequenos agricultores. E a Ferrocorp e o governo sabiam. Mas não se importavam. A família sabia o que a Ferrocorp precisava saber. O pai aguentou bem a tortura. Mas cedeu ao ver as ameaças contra seus filhos e filhas.

De posse da localização secreta da aldeia que era a base do povo da Harpia, Ferrocorp, o ministro e o filho do presidente planejaram o ataque surpresa contra a Harpia. Surpreendidos durante a madrugada, o povo da Harpia foi quase todo massacrado. Sem prisioneiros. Homens, mulheres e crianças, inclusive a família de Aricamé. Mas o próprio Aricamé não estava entre eles. Ele e alguns guerreiros, justamente naquela noite, estavam em visita ao povo da Ariranha, que vivia próximo ao rio de mesmo nome eram os melhores na arte da navegação pelos rios da floresta. O povo da Ariranha estava incerto sobre entrar ou não no conflito. Mas a poluição dos rios aumentou e sua principal fonte de alimentos, a pesca, estava cada vez mais prejudicada. Aricamé havia ido pessoalmente tentar convencer seus líderes a entrarem no combate contra a Ferrocorp. As negociações foram produtivas e Aricamé e seus guerreiros saíram da aldeia da Ariranha logo cedo. Vindo pelo rio e por terra, chegaram perto do meio do dia na sua aldeia. A animação com a aliança recém celebrada se transformou em desespero. Poucas palavras não são capazes de fazer justiça ao que Aricamé e seus guerreiros sentiram. Aquele golpe cruel e vil era muito baixo até para a Ferrocorp e para o governo que promovia a destruição das matas. Nos meios de comunicação sob domínio da Ferrocorp e do governo, o massacre de inocentes se transformou em vitória contra guerrilheiros e ecoterroristas. 

Chegamos agora ao ponto mais inverossímil da história. Fica a critério do leitor escolher se acredita ou não nos pontos mais incríveis do relato.

Aricamé já havia ouvido falar há muito tempo sobre poderes e forças ancestrais e sombrias, que viviam na floresta muito antes da chegada do povo da Harpia e de outros povos. Alguns diziam que estes antigos habitantes haviam chegado antes mesmo dos animais. Aricamé, apesar de ser um homem da floresta, também fora um homem das cidades. Ele seguia as antigas religiões, ao mesmo tempo em que mantinha um respeitoso ceticismo em relação a qualquer história sobre espíritos e entidades. Se eles existiam, por que não lutavam contra os invasores? 

Porém, diante da destruição e massacre de tantos de seu povo, foi como se algo quebrasse dentro de seu espírito. Após os ritos fúnebres voltou à aldeia das Ariranhas. Não para convocá-los para a luta, mas em busca de orientação. Sendo os senhores dos rios, apenas eles sabiam onde vivia o povo da Tartaruga. O povo da Tartaruga era o mais velho na floresta. Ao menos, os humanos mais velhos. Seus xamãs eram os únicos que conheciam todas a lendas, todas as histórias. Mesmo os mais sábios do povo da Harpia, da Ariranha, da Cobra ou de qualquer outro povo, não conheciam a história oculta da floresta como o povo Tartaruga. Alguns sábios de outros povos, ás vezes, ganhavam o direito de aprender com eles. Quando retornavam, diziam que o povo da Tartaruga não era exatamente desse mundo. Seus sábios viviam parte do tempo no mundo físico e parte no mundo imaterial.

Com a ajuda dos Ariranha, Aricamé chegou o povo da Tartaruga. Ele queria vingança. E não queria mais a luta que fazia. Queria arrasar, destruir, matar os responsáveis. Até então, Harpia não havia matado um único homem da Ferrocorp, mantendo seu foco na sabotagem e destruição de equipamentos, buscando causar prejuízos que obrigassem a Ferrocorp a sair da floresta. 

O povo da Tartaruga acolheu o líder do povo da Harpia, como sempre fez com todos que vinham até eles. Aricamé conseguiu, depois de muita insistência, falar com o velho xamã do povo. Diziam que ele era o mais velho homem da floresta. Também diziam que todos os xamãs do povo da Tartaruga se tornavam os homens mais velhos da floresta.

Não foi uma conversa curta e nem fácil. Aricamé queria acessar os velhos poderes da floresta para ter sua vingança. O velho Xamã o alertou para os custos. Algumas armas eram muito vis e infames para serem utilizadas, mesmo contra a Ferrocorp. Por fim, o velho acabou cedendo. Não pelo sentimento de vingança de Aricamé. Mas por um sentimento de sobrevivência. O povo da Tartaruga estava enfraquecendo. Até mais que os outros povos, sua existência estava ligada à floresta. Não era apenas o mercúrio nos rios ou a fumaça do ar que os matava. Sua própria essência imaterial desapareceria sem a floresta. O velho xamã daria a Aricamé o instrumento de sua vingança, mas também da sobrevivência dos Tartaruga.

Era o mais antigo segredo da floresta. Antes mesmo dos Tartarugas chegarem à terra, quando a floresta ainda era jovem, havia outro povo cujo nome foi esquecido. Os primeiros Tartarugas foram seus inimigos. Este povo esquecido perdeu e os sobreviventes fugiram para as cavernas. Ao longo de séculos, milênios, eles se acostumaram com a escuridão e com a umidade de um mundo escondido. Passaram a viver sob os pés de seus antigos inimigos. Ocasionalmente, atacavam. Roubavam crianças, que criavam como suas. Também roubavam animais e alimentos de seus antigos inimigos. Ao longo do tempo, descobriram os intrincados caminhos das cavernas subterrâneas e cavaram seus próprios túneis, criando um verdadeiro labirinto sob a floresta.

No geral, este povo do submundo não se importava com o que acontecia na superfície. Viviam bem na escuridão, onde mesmo os males causados pelos destruidores da floresta chegavam de forma mais lenta. E de qualquer forma, sua existência era tão precária, que eles não se importavam muito com a própria continuidade de seu povo. Aricamé queria usá-los. O velho xamã do povo Tartaruga sabia como. Há muitos anos, quando os Tartarugas expulsaram o povo esquecido para o submundo, quase tudo foi abandonado pelos perdedores. Mas eles fizeram questão de levar uma coisa. Uma estatueta, esculpida em um metal estranho, muitos anos antes dos seres humanos saberem manipular qualquer metal. Não era muito grande. Tinha cerca de 30 cm, mas era bem pesada para seu tamanho. O povo esquecido a havia trazido de suas terras de origem, muito antes dos Tartarugas chegarem. Tudo isso o velho xamã sabia. Mas nem ele sabia se o povo esquecido a havia esculpido ou se eles tinham roubado de algum povo ainda mais velho. Alguns acreditavam que mãos humanas não tinham feito o ídolo de metal, mas que eles tinham recebido de seres poderosos que haviam descido das estrelas. O que o velho Tartaruga sabia era que o povo esquecido venerava o ídolo grotesco mais do que tudo. Se Aricamé o tivesse, teria domínio sobre eles. O velho Tartaruga contou tudo isso e muito mais. Contou onde estava o ídolo e como chegar até ele. 

Aricamé partiu em sua jornada com a benção do mais velho Xamã da floresta. Era uma jornada árdua, até o coração profundo da floresta. Mesmo que a perigosa empreitada tivesse sucesso, o próprio plano envolvia lidar com poderes ocultos que qualquer xamã, de qualquer dos povos da floresta, sempre preferiu ignorar. Mesmo entre os Tartarugas, aquela era a primeira vez que um xamã falava disso para outra pessoa que não fosse outro xamã. Normalmente, a história era contada nos momentos finais de sua vida, para que apenas um entre os vivos soubesse da sombria lenda do ídolo de metal esquecido.

Aricamé partiu. Seu objetivo era a vingança. O velho xamã via a arriscada busca como a última chance da floresta. Aricamé viajou por muitos dias. Por rios que nem o povo Ariranha se atrevia a navegar, por trilhas antigas abertas pelos primeiros Tartarugas e por ruínas que os povos da floresta hoje evitavam. Percebeu que ao longo do caminho que os próprios animais o ajudavam em sua busca. Cruzou com um jaguar, preto como a noite. O jaguar o olhou profundamente e recuou. Cobras venenosas desviaram de seu caminho. Pássaros o guiaram até o alimento. Era como se toda a floresta, assim como o velho xamã, ansiasse pelo seu êxito.

Finalmente, Aricamé chegou a uma pequena clareira. Uma série de rochas de formato peculiar estavam dispostas em um círculo tosco. No centro, sobre uma pedra, um tipo de altar, estava o ídolo de metal. Aricamé se aproximou. A estranha escultura era perturbadora. De fato, não parecia ser feita por mãos humanas. A feições, difíceis de entender e impossíveis de explicar. O corpo grotesco, parecendo ao mesmo tempo humano e réptil. Aricamé a pegou e colocou em sua bolsa. Quis tirá-la logo de sua vista. De fato, era pesada para seu tamanho, mas podia ser carregada com tranquilidade. Ele não estranhou que algo tão valioso para aquele povo estivesse tão desprotegido. Nenhum outro povo da floresta vinha tão longe. E tal era a obscenidade da escultura que, mesmo que fosse de ouro e coberta de esmeraldas, nem mesmo os cobiçosos destruidores da floresta se atreveriam a tocá-la. Ele mesmo se sentia mal por fazê-lo. Só não se desfazia daquele objeto porque ele seria sua moeda de troca pelos serviços profanos do povo esquecido.

Aricamé a levou para um lugar escondido e depois voltou para a clareira. Sabia que, naquela noite, o povo do submundo viria para a superfície para realizar o culto milenar ao ídolo profano. Quando emergiram da terra, não viram o ídolo sobre a pedra. Em seu lugar estava Aricamé. Ele falou ao povo do submundo.

"Povo do submundo. Eu não posso entender suas palavras. Mas sei que vocês podem entender a antiga língua comum dos povos da floresta. Meu nome é Aricamé, líder do povo da Harpia. Eu estou com o ídolo de vocês. Sei que vocês querem me esfolar por isso. Mas, nesse caso, não encontrarão aquilo que vocês tanto valorizam. Eu não tenho nenhum interesse em ficar com o que é de vocês. Façam um trabalho para mim e vocês o terão de volta. Há três dias ao sul daqui, no encontro de dois grandes rios, há um acampamento. Muito maior do que qualquer aldeia de qualquer povo da floresta. Ouçam o que quero. Quero que vocês o destruam. Matem todos os homens. Se encontrarem mulheres ou crianças, deixem em paz. Mas se não encontrarem mulheres ou crianças, deixem ao menos um homem vivo para contar o que houve. E três, três desses homens, quero que me entreguem vivos. Esses três homens (mostrou três fotografias). Quando fizerem isso, terão seu ídolo de volta. Daqui a três dias, tempo necessário para chegarem lá, a noite estará escura. Me encontrem na margem do rio maior."

Aricamé passou pelo meio do povo do submundo. Eles sentiram seu cheiro e queriam fazê-lo em pedaços. Mas queriam seu ídolo de volta e se matassem Aricamé, ele estaria perdido para sempre. 

 Era uma noite escura, como Aricamé havia previsto.  A lua nova não iluminava os céus e a luz das estrelas era opaca.  O acampamento da FerroCorp acendeu a iluminação alimentada por geradores a diesel por volta das 19 horas. Às 20 horas, apenas essa iluminação artificial o separava do breu quase absoluto.  Então, as luzes se apagaram.  Houve um burburinho.

Seguranças e técnicos foram até os geradores. Os cabos estavam cortados. Sabotagem?  Como haviam passado pelo perímetro da vigilância?  Os cabos não pareciam cortados, mas roídos.

E que buracos eram aqueles no chão? De repente, um grito lancinante de dor e horror cortou o ar. Depois disso, houve apenas pânico e caos. Os seguranças do acampamento atiravam, tentando encontrar um alvo, utilizando a iluminação das lanternas.

 Mas a maior parte dos tiros não encontrou alvo algum ou atingiu alguém do próprio acampamento. O povo do submundo, por outro lado, vivia há milênios nas cavernas escuras sob a floresta. Seus sentidos mudaram e se adaptaram para a escuridão.

 Os povos da floresta que viviam na superfície sabiam como enfrentá-los, mas esses forasteiros não tinham a menor ideia do que enfrentavam. Não durou muito tempo. Não sabem exatamente quanto, mas não muito.

 Na manhã seguinte, um helicóptero da FerroCorp chegou ao acampamento. O cenário era de guerra ou de alguma enorme catástrofe natural. Corpos eviscerados estavam por toda parte. Todos os equipamentos destruídos. O choque foi imenso. Aquele era um voo regular, afinal nenhuma mensagem de socorro foi enviada. Foi encontrado um único sobrevivente. Nenhum ferimento. Totalmente catatônico. Quando se recuperou, contou tudo o que vivera, tudo o que vira em uma sessão secreta, onde estavam o presidente da FerroCorp e o ministro de segurança do governo. Apesar do conteúdo inverossímil, ninguém duvidou. O presidente da FerroCorp decidiu que era hora de deixar a floresta em paz.

 Poucos meses depois, em virtude dos enormes prejuízos, a empresa faliu. O ministro da segurança foi ao presidente. Seu filho, que estava no acampamento da FerroCorp naquela noite, não havia sido encontrado entre os mortos.

Tampouco foram encontrados o ministro da exploração da natureza ou o chefe da FerroCorp no acampamento. O presidente esperava que o sobrevivente tivesse informações. Não tinha. O infeliz sobrevivente acabou preso, pois foi considerado um traidor, já que havia sobrevivido. Três meses depois, foi solto. Isso porque, com o desaparecimento do filho, o presidente enlouqueceu de vez. Mesmo para seus apoiadores, ficou impossível de se manter ao lado dele. Quando foi deposto, acabou por se matar. 


Três homens sujos de terra e de joelhos estão na frente de Aricamé . Eles não estão amarrados, mas não conseguem se mover. Um deles é o gerente de operações da FerroCorp na floresta. Os outros dois são membros do governo. O ministro da exploração dos recursos naturais e o próprio filho do presidente. Eles estavam no acampamento destruído da FerroCorp.

Viram muitos homens serem mortos por grotescas criaturas semelhantes a humanos que emergiram do próprio chão, mas foram poupados. Arrastados por quilômetros de túneis e cavernas subterrâneas, onde viram que nenhuma pessoa já viu. E o que viram, sentiram, cheiraram e ouviram foi demais para seus cérebros.

Esses três homens, outrora poderosos, conheceram sua pequenez diante dos antigos mistérios da floresta. Então, em choque, com lágrimas nos olhos, o filho do presidente, famoso pelas bravatas, tem as calças úmidas pela própria urina. Eles estão vivos porque Aricamé exigiu que eles fossem entregues a ele.

Sua ideia era matá-los sem pressa por causa do massacre covarde que esses homens ordenaram. Mas agora, diante daquelas figuras patéticas, até mesmo seu ódio se transformou em piedade. Aricamé os matou rapidamente.

Com um único golpe, ele os liberta do terror que vivenciaram. Aricamé , então, olha para as criaturas humanoides à sua frente. Ele sentiu desprezo profundo, não por aquelas criaturas que já nem eram humanas, mas por si próprio, por ter recorrido a tais seres.

 Ele colocou o ídolo de metal na sua frente. Uma das criaturas se adiantou e o pegou. Logo depois, sumiu por um buraco no chão. Por um instante, ele pensou que não havia sido uma boa ideia devolver o ídolo tão prontamente, pois poderia ser destroçado pelo povo do submundo. Mas eles o ignoraram. Provavelmente estavam tão felizes em ter o ídolo de volta que se esqueceram do rancor por aquele que os havia roubado. Aricamé , então, sentiu um enorme vazio dentro de si. Eles salvara a floresta, mas pagou um preço muito alto. Seu povo, sua família e sua própria humanidade.

Ele apenas ficou ali, parado, enquanto o dia engolia a escuridão e os sons enchiam a floresta. Era hora de seguir em frente.


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