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Dores de cabeça.

  Dores de cabeça. Não tenho expectativa nenhuma que esse relato reverta os eventos que tenho certeza de que irão ocorrer em breve. Se o faço, é mais como um desabafo, algo que não posso guardar apenas para mim. Desde criança sofri com dores de cabeça.  Nessa época elas eram pouco frequentes e não muito intensas. Nenhum médico nunca encontrou nada preocupante, então simplesmente convivia com elas. Mas à medida em que envelhecia, elas se tornavam mais fortes, frequentes e duradouras.  Na idade adulta, elas afetavam de forma significativa minha qualidade de vida. Os mais fortes analgésicos representavam um alívio fugaz. Porém, como aconteceu na infância, médico algum encontrou as causas, tinha certeza apenas de que não era algo fatal, o que para mim não era de grande consolo visto o sofrimento que me causava. Há alguns meses tive uma crise no trabalho que me manteve afastado por dois dias. Quando retornei, um colega bastante discreto me entregou um cartão dizendo que talv...

O baixista e o policial.

Essa foi uma história surreal, a mais surreal da qual eu consigo me lembrar. Ela começou bem macabra, com uma garota desaparecida em uma pequena cidade no interior do país. Uma família desesperada, a avó chorosa, o pai em surto na frente das câmeras. Declarações da polícia dizendo que as buscas continuariam até que chegou ao fim de forma trágica. Um corpo, o corpo da garota desaparecida. A conclusão. Afogada. Uma marca estranha, ferro quente, no braço direito e um corte profundo na mão esquerda. O que movimentava a imprensa local se tornou uma notícia de repercussão nacional, internacional até. Todo tipo de mentira foi dito. A maioria apelava para o sensacionalismo e para a dor da família. Todos os tipos de especialistas foram entrevistados. As teses mais incríveis foram levantadas. Assassino Em Série, uma seita satânica. Tudo ficou mais insano quando um jornalista descobriu um caso idêntico em outra cidade ocorrido seis meses antes, mas que não recebeu a mesma notoriedade e atenção....

O grupo Fauna:

Terra, ano espacial 2052. Memórias de viagem de um estudante de ecologia planetária que fez um estágio de 60 dias como parte do trabalho final do curso.  Cheguei à Terra no dia 2 de janeiro, calendário terrestre. Minha nave pousou em São Paulo às 15 horas de um dia quente e chuvoso. São Paulo é a mais populosa cidade da Terra atualmente. Ainda assim, muito menos populosa do que foi no passado.   Os registros históricos dão conta de que, na era pré-espacial, chegou a contar com mais de 20 milhões de habitantes. Ainda mais assustador é pensar que, naquele momento, não era a cidade mais populosa do planeta. Atualmente, dos cerca de 50 milhões de habitantes da Terra, um milhão vivem em São Paulo. A Terra começou a se esvaziar quando a tecnologia das cúpulas de biosfera se desenvolveu e permitiu à humanidade viver em outros corpos celestes. Primeiro na nossa Lua, depois em Marte, nas luas de Júpiter e Saturno. E agora começamos a planejar a ocupação das luas de Urano, mais à...

O povo esquecido da floresta.

  A história que vou contar ocorreu há muito tempo, quando as grandes corporações avançavam sobre as poucas áreas ainda selvagens do planeta. Na floresta da Hyleia, último líder do povo da Harpia liderou por muito tempo a luta e a resistência contra a Ferrocorp , maior empresa de exploração mineral de então. A Ferrocorp havia ultrapassado, mais uma vez, os limites estabelecidos para a exploração na floresta. Na sua marcha constante e insaciável por ferro, ouro, petróleo e outros recursos, devastava áreas enormes da floresta, derrubava árvores centenárias, poluía rios e expulsava pessoas e animais da floresta. Empresas agropecuárias também avançavam sobre a floresta, derrubando matas para dar lugar a pastagens. Também haviam se tornado legais os safáris, com milionários de masculinidade frágil pagando enormes somas de dinheiro para abaterem animais da já combalida fauna local. Naquela época, o governo de Aurilândia estava entregue a um presidente lembrado pela sua aversão e persegui...